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Quarta feira, 20 de Agosto de 2008 

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CEM ANOS - o musical

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 Críticas e Entrevista
 A polêmica crítica, clique e leia na íntegra
 Numa província da América Latina
 Matriarca em cena  (entrevista)


Momentos constrangedores em Gagamar por HUMBERTO SLOWIK

Cem Anos... o Musical reflete face amadora de certos representantes do teatro paranaense.

Cena de Cem Anos...: coreografias pobres e composições musicais infames fazem parte do show de horrores.

Há momentos em que fica muito difícil, para não dizer constrangedor, emitir opiniões sobre determinado espetáculo. Há coisas que são tão ruins, tão amadoras, que praticamente não existe maneira de não partir para a agressividade textual, característica que, a princípio, deveria ser evitada no jornalismo.

Só que, sinceramente, ninguém é de ferro ou tem sangue de barata para passar sem nenhuma ponta de raiva ( sentimento misturado a uma pena profunda, dolorida ( pela experiência de assistir a Cem Anos... o Musical, espetáculo que estreou na quarta-feira à noite como parte da programação da Mostra de Teatro Contemporâneo do 10.º Festival de Curitiba. Meu Deus!, é durante estas oportunidades que descobrimos que a imaginação humana não tem limites, e pode ser perversa, muito perversa.

Dirigida por João Luiz Fiani (profissional que coleciona alguns hits na capital paranaense através de suas peças de forte apelo comercial), Cem Anos... parte do universo do escritor Gabriel García Márquez (com certos personagens inspirados nos tipos de Cem Anos de Solidão) para criar uma homenagem ao vencedor do prêmio Nobel. Porém, além do desafio de transportar as imagens do colombiano para o palco, Fiani lida com um problema ainda mais complicado: a pobreza absoluta de idéias.

Isto fica claro em todo o espetáculo, do texto indigente e completamente previsível à interpretação equivocada do elenco (dá até para entender a performance dos amadores, mas não de alguns atores talentosos que se sujeitaram a participar da empreitada); do cenário sem utilidade alguma à iluminação inexplicável, ruim mesmo; e, para completar, por coreografias horrendas e composições musicais totalmente infelizes, que além de letras infames, não tinham direcionamento algum, nos fazendo crer que Gagamar (sim, o infeliz nome da local em que a peça se passa traz as primeiras sílabas do nome de Márquez) era uma cidade de ciganos no interior da Romênia (ou um lugarejo espanhol).
Conclusão: um show de horrores. Cem Anos... o Musical é forte candidato a disputar com Ator-men-ta-do Calibanus o título de pior espetáculo da mostra oficial do FTC 2001. Por sua vez, Gabo deve ter passado uma noite horrível, revirando-se na cama sem parar. G

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Numa província da América Latina por MARCOS ZIBORDI

Montagem de 100 Anos... O Musical tem como base realismo fantástico do colombiano Gabriel García Márquez.

Rogério Bozza e Lala Schneider durante os ensaios de 100 Anos... O Musical: para todas as cidades.

Uma das montagens mais esperadas da Mostra Oficial do 10.º FTC é, sem dúvida, 100 Anos... O Musical, com texto e direção de João Luis Fiani, estréia de hoje na Ópera de Arame. A expectativa se dá por vários motivos. Primeiro porque todo mundo quer saber que leitura o autor de comédias mais bem-sucedido e atuante de Curitiba fará do prêmio Nobel Gabriel García Márquez e de seu antológico Cem Anos de Solidão - sem dúvida nenhuma um monumento da literatura mundial em todos os tempos. Em segundo lugar porque, mesmo sendo inspirada - não se trata de uma adaptação - a obra deve ser a referência para os espectadores julgarem o espetáculo de logo mais - o que pode significar um obstáculo para a produção. O páreo será duro. Por fim, a presença de Fiani na Mostra Oficial significou muita gente olhando torto e torcendo o nariz antes mesmo de saber o resultado - já que é identificado como um encenador popular e dado a trabalhos de apelo fácil.A curiosidade, portanto, será redobrada na noite desta quinta-feira.João Luis Fiani colocará 45 pessoas no palco, sendo metade deles bailarinos; a outra parte é formada por atores do Núcleo de Profissionalização Teatral do Lala Schneider, instituição que o diretor, ator e dramaturgo mantém e administra. Também integram a produção nomes da novíssima geração das artes cênicas no Paraná que vêm construindo sua carreira nos bastidores do Lala - a exemplo de Marino Júnior, Ranieni González e Jana Mundana. "São pessoas que estão comigo há dois-três anos", pontua. Vale destacar ainda as presenças da festeja atriz paranaense Lala Schneider (leia entrevista nesta página), de Zeca Cenovicz (oriundo do companhia do diretor Marcelo Marchioro) e do produtor Rogério Bozza, de volta aos palcos.Antes de levar esta megaprodução adiante, o grupo contou com a assessoria de três especialistas em literatura, entre eles Sandra Bozza - núcleo que coordenou um trabalho de pesquisa iniciado em novembro. As escolhas para o "roteiro" acabaram se centrando na primeira geração dos Buendía - elencada no livro de Márquez no momento em que a mítica Macondo é fundada. Assim, 100 Anos... O Musical pretende ser uma analogia de todas as cidades da América Latina - que à semelhança do vilarejo do livro podem coroar de imaginação o momento em que foram criadas.A cidade do musical se chama Gagamar, formada com as iniciais do nome do colombiano Gabriel García Márquez. Neste lugar inventado vigora no cenário e na indumentária dos personagens uma estética simples e direta - facilitação para que o público se veja e identifique ali sua própria realidade."Antes de qualquer coisa, quero dizer que quando e gente fala em Gabriel García Márquez e Cem Anos de Solidão temos que ter um respeito muito grande por essa obra e pelo que ela representa para a América Latina", declarou Fiani ao Caderno G, em entrevista de divulgação da peça.Vale lembrar que mais do que valorizar um determinado corte no enredo de Cem Anos de Solidão, a trupe da Cia. Máscaras de Teatro e seus novos agregados terão por incumbência resgatar o aspecto emocional do romance - daí a escolha por um musical. "A música tem o poder de levar as pessoas a vários climas", comenta João Luis. Não por menos a montagem contabiliza 14 composições de Celso Piratta D'Loch para 12 poemas assinados pelo próprio autor-diretor. Jana Mundana, Ranieri González, Débora Walz, Sandra Ávila e Nelly Bacila cantam ao vivo e também atuam. Uma das letras diz: "Todos os letrados ficam com a cara no chão/ seguem pasmos e chocados com a sua imaginação. Numa centena de anos, geração após geração/ amores, sonhos e planos, cem anos de solidão".Serviço: 100 Anos... O Musical. Estréia. Ópera de Arame (R. João Gava s/n.º - Pilarzinho), hoje, às 21h30 e sexta-feira às 20 horas.
Números de "Cem Anos - O musical"
45 atores em cena
200 total de envolvidos no projeto
20 microfones de lapela

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Matriarca em Cena - Caderno G

A matriarca em cena

A veterana do teatro paranaense Lala Schneider está feliz como uma mãe que vê o filho se realizando. Professora de João Luis Fiani no passado, ela está "toda prosa" com o que considera uma ousadia de diretor - dirigir um musical com 45 pessoas em cena.

Caderno G - O que Lala Schneider leu de García Márquez?

Lala - Nada (risos). Só algumas considerações.

Caderno G - Qual seu papel em 100 Anos...?

Lala - Sou a matriarca de uma família que muda de um espaço para outro à procura de outra vida em uma nova cidade. O meu personagem morre ao completar cem anos de vida. Entro no final do espetáculo para dar a mensagem de encerramento. Minhas falas estão nas últimas quatro páginas do texto.

Caderno G - Como foi trabalhar com Fiani desta vez?

Lala - Maravilhoso, mesmo porque ele deposita em mim muita confiança e eu nele. 

Caderno G - Fale do espetáculo.

Lala - É alegre, uma comédia tirada de um clássico. Como cultura, é maravilhoso. 100 Anos... vai trazer para as pessoas sentimentos que estão faltando muito ao ser humano, como a a admiração pelos amigos. As pessoas só sabem invejar.

Caderno G - A senhora canta no musical?

Lala - Não, eu tenho cem anos e não posso cantar. (risos) Estou fora de forma.

Caderno G - Como é ser dirigida por um ex-aluno?

Lala - Sinto um grande orgulho por se tratar de uma direção ousada, trabalhosa, assim como uma adaptação primorosa de um texto difícil.

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